"Espaço Comunitário" / Galeria Mupi / Maus Hábitos

"Espaço Comunitário"
9.12.2017_17.01.2018


“Este é o primeiro relato, a primeira narrativa. Não havia homem, nem animal, pássaros, peixes, caranguejos, árvores, pedras, cavernas, ravinas, ervas, nem florestas; existia apenas o céu.
A superfície da Terra não tinha surgido. Havia apenas o mar calmo e uma grande extensão de céu.
Não estava nada unido, nada que pudesse produzir um som ou que se movesse, ou se agitasse, ou criasse um ruído no céu.
Não havia nada que estivesse de pé; apenas a água calma, o mar plácido, só e tranquilo.
Nada era dotado de existência.”
(Popol Vuh)

Ali estava ele, à deriva naquele grande rio de sóis, a meio caminho entre os intensos fogos do núcleo galáctico, e os isolados astros sentinelas espalhados pela orla. E era ali que queria estar, do outro lado do abismo celeste, dessa tortuosa faixa de escuridão, sem estrelas. Sabia que aquele caos informe, cujos contornos só eram visíveis devido à luz de longínquas névoas de fogo, era material de criação ainda por usar, barro de evoluções ainda por moldar. Ali, o Tempo não começara; só muito depois de os seus ardentes sóis morrerem, a luz e a vida daria forma àquele vazio.”
(Arthur C. Clarke, 2001 Odisseia no Espaço)




“This is the first account, the first narrative. There was neither man, nor animal, birds, fish, crabs, 
trees, stones, caves, ravines, grasses, nor forests; there was only the sky. 
The surface of the earth had not appeared. There was only the calm sea and the great expanse of 
the sky. 
There was nothing brought together, nothing which could make a noise, nor anything which 
might move, or tremble, or could make noise in the sky. 
There was nothing standing; only the calm water, the placid sea, alone and tranquil. 
Nothing existed.”
(Popol Vuh)

“Here he was, adrift in this great river of suns, halfway between the banked fires of the galactic core and the lonely, scattered sentinel stars of the rim. And here he wished to be, on the far side of this chasm in the sky, this serpentine band of darkness, empty of all stars. He knew that this formless chaos, visible only by the glow that limned its edges from fire-mists far beyond, was the still unused stuff of creation, the raw material of evolutions yet to be. Here, Time had not begun; not until the suns that now burned were long since dead would light and life reshape this void. “
(Arthur C. Clarke, 2001 A Space Odyssey)